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Nov 6, 2009

Um pouco assustado...

Este é um texto que retirei do site http://podium.publico.pt a respeito da prática desportiva, seja por lazer ou competição. Todos estamos sujeitos, por isso é conveniente precaução e devida prevenção.

"Segundo um artigo de Ricardo Javornik, director do GSSI (The Gatorade Sport Science Institute) na América Latina, em cerca de oitenta por cento dos casos de jovens atletas norte-americanos, com menos de 30 anos, falecidos repentinamente as causas têm origens cardiovasculares: cardiomiopatia hipertrófica, anomalias congénitas das artérias coronárias, ruptura da artéria aorta devido a alterações na sua parede, também conhecida como síndroma de Marfan, e estreitamento da válvula aórtica (ver infografia). Na Europa, nomeadamente em Itália, onde o rastreio de doenças cardiovasculares é feito há décadas, a principal causa de morte documentada é a displasia arritmogénica do ventrículo direito.

De acordo com Joaquim Fonseca Esteves, director do Centro Nacional de Medicina Desportiva (CNMD), nos EUA registam-se “cerca de 300 mortes súbitas por ano, numa população que varia de dez a quinze milhões de desportistas”, e na Europa, as percentagens conhecidas são sensivelmente semelhantes. “Houve um pequeno aumento do registo de mortes, mas isso deve-se à maior exposição pública do problema e ao crescimento do número de praticantes desportivos”, explicou.

Admitir falibilidade

O cientista da GSSI considera que “é possível prevenir a sua ocorrência durante o exercício” e que “a estratégia lógica para a redução da incidência desse problema é (...) a avaliação médica antes da competição”. Contudo, Javornik reconhece que esta técnica “não consegue detectar todas as possíveis patologias cardíacas que determinam a morte súbita do atletas”: “As provas clínicas indicam que é relativamente fácil suspeitar e diagnosticar os problemas de aneurismas da artéria aorta e a estenose da válvula aórtica, diferentemente dos casos de cardiomiopatia hipertrófica, que apresentam sintomas variáveis e que, em alguns casos, são semelhantes às adaptações provocadas pelo exercício físico, exigindo meios sofisticados e caros para diagnóstico, assim como as anomalias coronarianas que podem manifestar-se apenas por meio da morte súbita. Não se consegue diagnosticar um certo percentual dos atletas que apresentam risco de sofrer a morte súbita e sua única manifestação clínica será a paragem cardiorespiratória”.

Esta teoria é também defendida pela task force sobre morte súbita da Sociedade Europeia de Cardiologia. “Malformações da artéria coronária podem permanecer clinicamente silenciosas durante longos períodos de tempo e frequentemente sem surgirem sintomas premonitórios (por exemplo, síncopes ou desmaios de esforço, dores no peito) ou anomalias nos electrocardiogramas”, escreveu este grupo de cardiologistas europeus num relatório publicado em 2001 pelo European Heart Journal.

“A impossibilidade, óbvia, de previsão da morte súbita” é também vincada por Ovídio Costa, João Freitas e Isabel Sá, do Centro de Medicina Desportiva do Porto, e Jorge Puig, cardiologista do Hospital de Matosinhos. Neste artigo disponível no site da Universidade de Medicina do Porto, os clínicos portugueses defendem que “a realização de exames complementares de diagnóstico cardiológico melhora a sensibilidade do rastreio de tal forma que a inclusão do raio-X pulmonar, do electrocardiograma de repouso, do ecocardiograma e da prova de esforço permite a identificação da maioria dos portadores em risco aumentado de morte súbita”, mas lembram que “a realização sistemática destes exames complementares de diagnóstico não resolve todas as situações, pois não considera o erro diagnóstico (os resultados falsamente positivos e os resultados falsamente negativos)”. “É, pois, fundamental admitir a falibilidade das estratégias de rastreio”, defendem.

Maioria detectável

Em conversa com o PÚBLICO, Fonseca Esteves não entra em dramatismos. Reconhece que deficiências como as anomalias coronárias podem “passar despercebidas”, mas lembra que “actualmente há meios disponíveis para detectar se as coronárias têm origem normal ou anormal, através da ecocardiografia.”. “Universalmente são aceites vinte causas de morte súbita cardiovascular, mas a maior parte pode ser detectada. Basta ver os nossos dados: em 82400 desportistas examinados, detectámos 133 contra-indicações absolutas”, vincou.

Este cientista português adianta, contudo, um obstáculo para o trabalho de prevenção: “Através da ecocardiograma é possível, na maioria dos casos, detectar anomalias coronárias, mas em alguns casos a primeira manifestação desse problema é logo a morte, ou porque durante a vida não apresenta sintomas ou porque quando surgem, há atletas que os subestimam, pela sua ambição, pelo seu poder físico”."

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